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A HORA DA VERDADE
Cecília Cibella ShibuyaTudo é agravado, complicado. O executivo é muito ocupado.
Ele examina modelos matemáticos, autoriza grandes aplicações financeiras, investimentos. Lê relatórios de pesquisas e projetos. Estuda fluxogramas, convoca reuniões, viaja, assiste seminários, congressos. Planeja estratégias, formula orçamentos, toma decisões. Seu papel é interessante, desafiante.
Subiu vários degraus na escada do sucesso, alcançou posição que lhe deu status, dinheiro, poder, mas apesar de tudo se sente irrealizado e insatisfeito. Voltou-se somente ao desenvolvimento profissional, a uma carreira brilhante e é apenas nesta fase que percebe o alto preço que pagou: fracassos conjugais, familiares e até mesmo de auto-realização.
A pergunta é: valeu a pena?
Ele não buscou equilíbrio entre o trabalho e o desfrute.
Percebe que a importância é da Empresa/Fundação (sobrenome organizacional). Os subordinados, diante da aposentadoria do executivo, já apresentam alterações de comportamento em relação a ele. Não existe mais secretária para lhe trazer o cafezinho, o boy para pagar suas contas. O telefone deixou de tocar, os convites para recepções diminuíram, o círculo de amizades vai se modificando (frustração maior).
O que fazer com o tempo disponível, que em outras épocas foi motivo de muitos planos e adiamentos de projetos ?
Acumulou bens, mas não desfrutou de quase nada.
Muitas pessoas, especialmente os executivos, em fase de carreira ascendente, consideram que é uma “etapa de sacrifícios, esforço e para plantar o futuro”. Por esta razão deixam de viver, ou adiam seus projetos de desfrute para o futuro. O presente é trabalho, é sacrifício. Para muitos destes, a história da cigarra e da formiga é um exemplo de modelo a ser seguido.
Para muitos executivos brilhantes, que estão prestes a se aposentar, mães que dedicaram toda a sua vida aos filhos, solteirões que amealharam verdadeiras fortunas. “O pior é querer viver o amor que não viveu”. Não ter condições de dar o afeto que os filhos reclamaram. Será difícil resgatar uma relação afetiva que terminou por mesquinharias e mau gênio.
Enfim, é importante compreender o momento e vivê-lo na sua plenitude. Por isso a importância do equilíbrio entre o trabalho e o desfrute. Especialmente para os que passaram toda a vida trabalhando e não sabem fazer outra coisa.
Cecília Cibella Shibuya é Assistente Social, Diretora da Prática Consultoria Empresarial Ltda. e Vice-Presidente de Eventos e Relações Internacionais da ABQV - Associação Brasileira de Qualidade de Vida
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