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Felicidade Interna Bruta

Publicado originalmente na revistavocerh.abril.com.br - 08.10

O FIB é um indicador que traz uma nova definição de riqueza por meio de valores como educação, saúde e bem-estar

Por Toni Mello

O IX Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, que acontece de 05 a 07 de outubro em São Paulo, discute um tema inovador. O FIB (Felicidade Interna Bruta) é um indicador sistêmico desenvolvido no Butão com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Para falar sobre o assunto foi convidada a psicóloga e antropóloga pela Universidade de Harvard (EUA), Susan Andrews. A estudiosa está atualmente no Brasil, coordenando o Parque Ecológico Visão Futuro, em Porangaba (SP).

O FIB mede o progresso de uma comunidade com base em nove dimensões: padrão de vida econômica, boa governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, uso equilibrado do tempo e bem-estar psicológico. O indicador é baseado na premissa de que o objetivo principal de uma sociedade não deveria ser medido somente pelo crescimento econômico, mas pela integração do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual.

Susan começou a palestra questionando sobre o que traz felicidade, lembrando da ciência hedônica – ciência da felicidade – que vem pesquisando e estudando para identificar as respostas para esta pergunta. Segundo Susan, não é o dinheiro que traz felicidade, é a felicidade que traz dinheiro. “Os felizes são mais bem sucedidos, se saem melhores nas entrevistas de emprego e têm casamentos mais duradouros”.

A filosofia americana trabalha com a máxima de que mais materialismo é igual a mais felicidade. Mas as pesquisas têm mostrado que essa equação funciona de maneira diferente. “É uma curva que sobe, depois se nivela e, em alguns países, cai”. A curva se estabiliza no conforto e começa a cair quando atinge o luxo. Para Susan, isso vem com o medo de fatores como violência e sequestros.

Segundo uma pesquisa de geneticistas americanos, há um ponto basal para a felicidade: 50% do estado de humor é genético. “Falar em qualidade de vida sem falar na bioquímica humana deixa um vazio”, lembrou a palestrante. Outro ponto que auxilia na busca por felicidade é a conexão – casamento, amigos, grupos de interesse. “A socialização traz capital social”.

O conceito do FIB também pode ser empregado dentro das empresas como um novo paradigma de gestão, é o chamado Endo-FIB. A Natura passa a adotar esse modelo a partir da próxima semana, disse Susan.

 


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